Eu quero ser o melhor do mundo!

Escutava os comentários daquele jovem sobre o seu objetivo quase obsessivo de querer chegar ao topo do mundo na atividade que ele escolhera. Vou ser o melhor do mundo, dizia ele que descrevia os seus planos, a sua estratégia e os passos que daria para que isso fosse possível. Percebia-se que ele queria ser o melhor do mundo em comparação com os outros. Ele demonstrava realmente que era um objetivo que perseguiria a qualquer custo.

Perguntei-lhe:

– E qual a sua relação com os outros nessa trajetória?

– Os outros? Não estou nem aí para os outros. Pouco me importa. Nada nem ninguém vai me atrapalhar no caminho de chegar em primeiro lugar!

Comecei a pensar na diferença entre competição e competitividade mais uma vez. Há uma confusão generalizada pelo fato de vivermos num mundo competitivo imaginar que a vida tenha que ser uma competição. Isso não é verdade! Além de não ser preciso estar em competição essa lógica ainda é falsa. Explico. Entenda-se competição como a disputa entre duas ou mais pessoas, equipes ou organizações em igualdade de competições por um mesmo objetivo. Porém, desafio-os a encontrarem duas ou mais pessoas, equipes ou organizações em igualdade de condições se todos são exemplares únicos e singulares? O princípio da competição é falso a partir de seu conceito. Contudo, nada nos exime de sermos competitivos como pessoas, equipes ou organizações ao extrairmos o melhor que nós pudermos a partir de nós e dos outros. Trata-se de reconhecer a importância de olhar para os lados para aprender com os outros e olhar para dentro para ser o melhor a partir das próprias competências. Nisso eu acredito.

Por isso, acredito também que não há sentido nenhum em ser o melhor do mundo em comparação com os outros. Sou único, então devo ser o melhor do mundo em relação a mim. Desse modo, há que se respeitar os outros para que se tenha o reconhecimento dos outros, porque só com eles é que as nossas conquistas têm sentido. Há que se reconhecer nos outros o melhor que eles podem ser. É assim que eu acredito que se pode melhorar o mundo. Inspirar os outros para que eles sejam melhores. Inspirar-se nos outros para sermos melhores.

Enfim, acredito que cada um deva querer ser o melhor do mundo e que isso seja em relação as próprias potencialidades. Extrair o melhor de si para colocar isso a serviço de si e dos outros é transformar potencial em talento. É isso que nos permite a realização com os outros e também reconhecer a realização dos outros. É no ato de fazer bem a si mesmo porque isso faz bem para os outros. Sem essa relação não há sentido em ser o melhor do mundo. Quer uma prova? Basta imaginar que você é o melhor do mundo em relação aos outros em sua atividade. Pegue essa sua posição e vá sozinho para uma ilha deserta sem conexão com ninguém para ver o quanto lhe vale ser o melhor do mundo em comparação com os outros. Não se isole. Venha ser melhor no FISEC!