Pepita Soler entrevista Monja Coen

Tendo em vista o público do FISEC 2014, o Secretariado Executivo, na sua opinião:

1. Qual é o nosso maior desafio enquanto ser humano?

O maior desafio do ser humano é despertar para sua essência verdadeira.
Apreciar a vida humana, percebendo que está inter-relacionada a tudo que existe.
Desenvolver a capacidade de observar em profundidade e tomar decisões adequadas para o bem de todos os seres.

2. Até onde vai a nossa responsabilidade pelo outro?

Outro? Que outro?
Somos um só corpo e uma só vida.
A verdadeira compaixão, o verdadeiro cuidado transcende o eu e o outro.
Quando conseguimos essa transcendência nós percebemos responsáveis por tudo e por todos. Podemos desenvolver a capacidade de ver com tranquilidade o que está acontecendo, quais as necessidades verdadeiras e como atender a essas necessidades. Somos responsáveis pela vida na Terra. Tudo que fazemos, falamos e pensamos mexe na teia da vida. Como estamos influenciando essa trama? Observe a si mesma e se comprometa a modificar respostas e pensamentos que não levem ao sucesso e a alegria de viver.

3. Como manter o nosso equilíbrio emocional?

Respiração consciente é a chave de ouro para nossa compreensão de nossas alterações de humores. Quando a sua respiração fica suspensa, agitada, curta, pulmonar é bom atentar, perceber o que provocou essa mudança e, através de fazer a respiração voltar a sua estabilidade, podemos voltar ao nosso equilíbrio emocional e tomar decisões e dar respostas adequadas.

Caso contrário apenas reagimos ao mundo. Muitas reações sem reflexões e considerações sobre suas consequências e condições podem apenas manter desequilíbrios. Podemos escolher o que alimentar em nós e em todos. O que permitimos que alimentem em nós. Consciência do corpo e da mente, para respirar profundamente, refletir e responder às provocações da vida.

4. Como humanizar/espiritualizar um ambiente corporativo, competitivo, materialista e consumista?

Os ambientes corporativos são ambientes humanos. Todas as atividades das corporações são de seres humanos com seres humanos e para seres humanos.
De certa forma somos competitivos. Somos matéria. Precisamos consumir para sobreviver. Minha sugestão é a de percebermos que nós, seres humanos, também somos seres espirituais. Somos seres bondosos, somos capazes da solidariedade e do apoio quando a necessidade verdadeira se apresenta. Podemos trabalhar em grandes corporações e sermos a transformação que queremos no mundo – como insistia Mahatma Gandhi. Estar no mundo, sem ser engolida pelo mundo. Qualquer lugar em que estivermos devemos ter o compromisso de uma vida ética.

Independentemente de qualquer crença religiosa ou não crença, devemos criar sistemas educacionais baseados na ética – o cuidado sábio e respeitoso.   Em toda e qualquer situação, em todo e qualquer lugar. Principalmente nas grandes corporações. Como manter o consumo responsável frente a tantas provocações do mercado? Educação, atenção, observação profunda de si mesma e de suas necessidades verdadeiras. É possível.

5. O que devemos considerar ao fazer uma escolha seja pessoal ou profissional?

Ao fazer escolhas devemos refletir sobre perspectivas de curto, médio e longo alcance. Como posso usar minha vida, minhas capacidades profissionais para beneficiar ao mundo. Invés de apenas pensar nas vantagens que eu possa ter, pessoais ou profissionais, inverter o olhar para – como posso compartilhar da alegria de viver, do bem estar físico, mental e social com estas pessoas? Como posso criar empresas, trabalho, relacionamentos que beneficiem tantas formas de vida quanto possíveis. Quando nos alegramos com nossas tarefas e nossos relacionamentos, nossas atividades são mais produtivas. Encontrar as pessoas e os locais onde podemos desenvolver nossas capacidades e crescermos em aprendizado e ternura. A escolha pode e deve envolver o retorno material, claro. Mas, este é secundário.

6. Qual deveria ser o mantra das (dos) secretárias (os)?

Que todos os seres iluminados e benfazejos me abençoem na tarefa de facilitar decisões que implicam em muitas vidas.

Que eu tenha paciência e saiba observar em profundidade as necessidades verdadeiras de todos os seres.

Que eu saiba interferir e agir de forma coerente e sábia com os princípios da Ética e da Paz.

Que eu veja cada criatura como a manifestação sagrada da existência e saiba respeitar e responder de forma compassiva e sábia.

Que eu descubra o contentamento com a existência e a completude.

Que valorize meu trabalho e minhas funções bem como a de todos que sirvo e por mim são servidos.

Mãos em prece
Monja Coen